La vie en rose – Fernanda Baumel

 

Mais um texto delicioso da Fernanda no OBA Gastronomia.

O marisco que ela se referiu é o lambe-lambe, servido na casca, que comemos até se acabar no Deck Restaurante de Guaratuba. É uma receita típica dos caiçaras. Como aqui em Curitiba é complicado encontrar mariscos na casca, fiz uma adaptação. Servi com pappardelle e incluí alcaparras na receita.

Terminou o carnaval no Rosa e com ele, a temporada. Durante uma semana eu vi os mais variados tipos de pessoas na rua, ouvi TODO tipo de música (apesar de a gente ouvir praticamente só Sublime e afins em casa).

Em uma semana eu trabalhei mais de 10 horas por dia, sem off, e ligada no 220! Mas ufa, acabou! E como tudo termina em pizza, na verdade, com os restos (churrasco e jantares fora) o Gui fez um Carreteiro. Estava divino. Se a gente não tivesse devorado antes eu teria colocado a foto. Carreteiro legítimo de gaúcho! Com ovo e tudo. Tipo o que a gente fazia na família da minha mãe no dia depois do churrasco do vô. Então me bateu uma saudade…

Resumindo, fui pra Curitiba passar uma semana. Foi aniversário do meu avô da família Baumel e eu cheguei de surpresa. Não tem preço rever a família depois de um tempo e ser recebida carinhosamente por cada um deles.

Eu só tenho a agradecer pela família maravilhosa que eu tenho. Que se preocupa comigo e me dá força, que me presenteia com coisinhas de casa (talheres, copos, taças!), chocolates, internet movel =), roupinhas de praia estação primavera, ração de cachorro e o famoso Toddy Light. Quantos mimos!

Por isso, pela importância do valor FAMÍLIA, eu vou dedicar esse texto à pessoa que confiou em mim e abriu este espaço para eu escrever: meu pai.

Foi meu pai quem me ensinou a gostar TANTO de praia, depois das intermináveis temporadas em Guaratuba. Eu adorava. Costumava  assombrá-lo com minha frase favorida de todas na praia: VAMOS NA ÁGUA?

A gente ia no Deck pra sentar na mesa do lado da baía. Jantávamos Mignon ao Molho Madeira e suco África. Teve um dia que eu comi praticamente uma bacia (isso mesmo) inteira de mexilhões – e nunca mais conseguir comer isso na vida.

A gente passava as tardes em Águas Claras,  ia comer carangueijo à noite no Prainha – e eu sempre detestei carangueijo, mas fui sempre companheira fiel, junto com a Lili.

É difícil sair da zona de conforto, de perto da família, quando você sempre foi criada como “daddy’s little princess”. Mas por outro lado sou muito agradecida por todas as lições de vida agregadas  durante minha infância-  amar a natureza, ser sempre corajosa e  nunca deixar de tentar.

Acho que pelo fato de eu já ter aberto a boca de uma traíra cheia de dentes com um alicate (pro papi tirar o anzol enroscado em sua mão), eu perdi o medo de matar baratas. Ou por todos os “programas de índio”, que incluíam Guaraqueçaba, trilhas alternativas e mosquitos, eu consigo pegar a trilha do Rosa Norte depois da chuva, escurecendo.

Pelos dias que a gente passou na chácara, perto do silêncio e da paisagem maravilhosa, eu aprendi a viver com a calmaria, dar menos importância aos morcegos e sapos e mais importância à beleza natural do lugar.

Eu sinto falta dessa época, das lembranças e vou sentir falta de estar por perto. Mas agora, nessa praia linda e com minha outra e nova família eu estou completa. Por isso, deixo um OBRIGADO muito grande ao meu pai pelo amor e por sempre me encorajar!

Apesar de bem crescidinha, eu sei que sempre vou ser aquela menininha para ele.

Poderia colocar a receita do carreteiro, mesmo eu tendo sido responsável apenas por ter cozinhado os ovos. Ou poderia colocar um mignon ao molho madeira, Mas deixo aqui a minha receita, simples, direta, mas bem válida:

Não deixe de correr atrás dos seus objetivos, seus sonhos. Nunca os abandone. Porque de repente, quando você menos espera, pode você estar vivendo eles. E essa sensação é uma delícia. 

 

A época que a Fernanda fala em seu texto foi linda mesmo. Comer lambe-lambe no Deck era uma delícia. Inesquecível. Comida de saudades.

PAPPARDELLE COM MARISCO LAMBE - LAMBE

Tempo de Preparo 10 minutes
Cook Time 10 minutes
Tempo Total 20 minutes
Porções 2 pratos

Ingredientes

  • 200 g macarrão pappardelle
  • 200 g sem casca mariscos
  • 150 g picados e com um pouco de seu suco tomates italianos em lata
  • 1/2 picado em cubinhos pimentão
  • 1 unidade pequena bem picada cebola
  • 2 dentes bem picados alho
  • 200 ml cerveja clara
  • 1 pitada pimenta calabresa
  • 1 colher sopa (apertar com as mão embaixo da torneira, para retirar o excesso de sal) alcaparras
  • 2 colheres sopa azeite de oliva extravirgem
  • picados Cheiro-verde salsa e cebolinha
  • a gosto sal

Instruções

  1. Cozinhe o macarrão em água abundante, salgada e com um fio de azeite, até estar al dente.
  2. Reserve.
  3. Em uma frigideira funda, aqueça o azeite e refogue a cebola e o alho. Adicione o tomate e o pimentão.
  4. Deixe cozinhar por 3 minutos.
  5. Junte os mariscos e a cerveja.
  6. Cozinhe por 10 minutos.
  7. Coloque as alcaparras e o cheiro-verde. Tempere com o sal e a pimenta calabresa. Mexa tudo muito bem e retire o excesso de líquido.
  8. Junte o macarrão e sirva imediatamente.

Orlando Baumel

Chef de Cozinha, músico e sócio do site junto com a Carol. Casado, pai de 3 lindas garotas.

Este post tem 3 comentários

  1. Muito bacana o texto, as lembranças contadas nos remetem a lembranças nossas e também a imagens que criamos na nossa cabeça. Além disso, a receita parece ser maravilhosa e fácil de fazer. Acho que cada um pode criar a sua própria lembrança a partir de comidas, como esta.

  2. Fernandinha!

    Tá sendo bem legal acompanhar tua new life! Essa tua California`s face aí esconde uma guerreira pelo jeito!

    Eu não copiei a receita não, mas sempre que pintar coisa nova estarei por aqui. É só chamar.

    Beijão e passa lá!

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