Comida de Cozinheiro.

Cozinheiros são pessoas que tem manias próprias, horários desregrados e um jeito único de se alimentar. Passam o dia inteiro mexendo com todo o tipo de comida, temperos e especiarias. Preparam os pratos com o maior carinho do mundo e se esquecem de comer.

Eu sou assim. Conheço vários do mesmo jeito. Passar horas em frente a bancadas e fogões, em meio a um calor quase insuportável, esquentando o umbigo no fogão em intermináveis pratos e esquecer a hora de comer, é normal para mim.

Porém, tem coisas que cozinheiros adoram, ao menos a grande maioria que conheci. Uma unanimidade é o pastel, pastel de feira, se possível. Outra é o pão-na-chapa.

Chegar na cozinha logo cedo, com o estômago nas costas, aquecer bem uma chapa, passar manteiga sem pena em um pão francês fresquinho e aquecê-lo até tostar levemente, é uma das melhores coisas que esta vida de cozinha nos proporciona.

O famoso pão-na-chapa. O pão mais reconfortante que existe. Quentinho, crocante, com um sabor maravilhoso de manteiga e comido na beira do fogão. Difícil alguma comida mais simples e mais gostosa. Em minha infância, eu fazia na chapa do fogão a lenha e a banha de porco substituía a manteiga. E é inesquecível.

Pão-na-chapa tem uma exigência: ser feita em panela de ferro. Se for preparado em uma outra frigideira qualquer, o resultado não será o mesmo. Podem apostar. Panela de ferro bem quente, pão francês fresquinho e uma camada generosa de manteiga. É de comer suspirando.

Se a fome for maior ou o dia promete ser pesado, o pão-na-chapa deve acompanhar o estado de espírito. Deixar o estômago forrado para o dia difícil que está por vir exige um pouco mais de trabalho. Aí, surge o companheiro inseparável das fomes pontuais: o ovo. Ovos mexidos, com uma ou duas fatias de queijo, uma pitada de cheiro-verde e sal. Pronto, temos o pão-na-chapa elevado a categoria de desjejum.

INGREDIENTES
Pão francês, cortado no comprimento
Manteiga

Em minha casa, costumavam chamar ovos mexidos de manteiga de ovos. Sabe-se lá de onde veio o termo, mas sempre gostei. Até hoje uso.

Uma pequena frigideira anti-aderente, um pouco de azeite de oliva, um ovo, queijo, cheiro-verde e sal. Aquece e mexe sem parar até conseguir uma textura cremosa e homogênea, pedindo para ser devorada com um pão, aquele mesmo recém saído da chapa quente. É a salvação de todos os males, o estímulo que faltava para encarar qualquer coisa que venha.

Estes momentos são realmente inesquecíveis. Pão e ovo formam uma dupla perfeita. Alimento para a alma, para animar a manhã mais cinza que porventura surja. Tenho certeza que vocês concordam comigo. Coisas simples e maravilhosas, destas que dão sentido ao existir. Coisa de Cozinheiros.

Orlando Baumel

Chef de Cozinha, músico e sócio do site junto com a Carol. Casado, pai de 3 lindas garotas.

Este post tem 4 comentários

  1. Muitooo bom!

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