Meles das abelhas sem ferrão da Mata Atlântica

Em minha última passagem por Antonina, na região litorânea do Paraná, fui apresentado a uma variedade de mel produzido em Guaraqueçaba, também na mesma região. O mel que me foi apresentado foi o Mel de Mandaçaia, uma pequena abelha nativa da Mata Atlântica que já estava em vias de extinção mas foi salva graças a criação racional de pequenos apicultores locais desenvolvida em parceria com a SPVS (Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem).

Junto com a Mandaçaia, mais 7 espécies de abelhas vieram na esteira (Guaraipo, Manduri, Borá, Tujumirim, Uruçu, Tubuna e Jataí). Estas abelhas tem em comum o fato de não possuírem ferrão.

Mel de Guaraqueçaba

Apesar de já praticada por povos indígenas, a produção de mel e extrato de própolis de abelhas nativas era uma atividade pouco explorada na região. O especialista Marcelo Bosco explica a importância dessas abelhas para o ecossistema local.

Por serem menores, as abelhas nativas polinizam flores que as abelhas africanizadas, que são espécies exóticas, não conseguem. Além disso, esta iniciativa evita que ocorra a derrubada de árvores para a retirada dos enxames, pois as abelhas são criadas em caixas racionais, contribuindo, assim, para a manutenção das florestas. (Site da SPVS)

Os meles produzidos em Guaraqueçaba eram vendidos quase que exclusivamente para fins terapêuticos, usados para a cura de doenças como bronquite, úlcera, tosse, resfriado, catarata, conjuntivite, queimadura, entre outras. Hoje passou a ganhar espaço na Gastronomia, figurando em pratos de alguns Chefs brasileiros.

Por isso é de grande valor quando se encontra um produtor como o Ederson Holdizs, que levou 9 meles diferentes para degustação no Festival de Tiradentes. Ederson é proprietário do Néctar Nativo, de Guaraqueçaba, Paraná, e vende o mel sob encomenda feita através da sua própria página no Facebook ou pelo e mail [email protected].

Mel de Guaraqueçaba 1

Os meles degustados, dos mais doces para os mais ácidos, foram: jataí, tubuna, uruçu, tujumirim, guaraipo, mandaçaia, manduri, borá – todos com o aroma forte e característico do ferormônio de cada espécie.

Fez parte da marginalidade dessas abelhas o serem consideradas produtoras de meles apenas com propriedades medicinais. Mas agora surgem com maior vigor para uma plateia interessada na sua exploração dentro da gastronomia. (E-Boca Livre)

Vale a pena conhecer estes produtos quase que exclusivos. Você pode conseguir mais informações através do telefone (41) 3482 1325

Abaixo, um interessante vídeo sobre a colheita do Mel de Mandaçaia.

 

Orlando Baumel
Orlando Baumel
Chef de Cozinha, músico e sócio do site junto com a Carol. Casado, pai de 3 lindas garotas.

1 Comentário

  1. […] realidade, o que acho que sofistica mais este prato é o mel utilizado. Usei mel da Tubuna, uma das abelhas sem ferrão da Mata Atlântica. O mel que estas abelhas produzem é indescritível. Sei que é um tanto difícil de encontrar, mas […]

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