Meu vizinho japonês volta e meia me presenteia com ingredientes que eu desconheço. Aí dá-lhe pesquisar. Tem vezes que nem ele sabe direito do que se trata, como sua última doação, uma vagem diferente de todas as que eu já tinha visto. A primeira reação que tive foi me informar com a Marisa Ono, do excelente Delícia. Gentilmente, como sempre, ela me respondeu que se tratava da Vagem de Okinawa, Shikaku Ingen em japonês. Uma PANC em que as vagens, as folhas e as batatas são comestíveis.

Meu outro instrumento de pesquisa foi o livro Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil, de Valdely Ferreira Kinupp e Harri Lorenzi. Ali soube que o Feijão-de-Asa, Feijão-Alado, Winged pea ou Goo Bean é uma herbácea perene, provida de raízes tuberosas, com ramos prostrados ou trepadores. A planta é nativa da África Tropical, mas domesticada na Ásia Tropical há séculos. É amplamente cultivada na Ásia em escala doméstica, tendo sido introduzida na Amazônia para o mesmo fim.

Na culinária, a parte principal de interesse são as vagens imaturas (não fibrosas), seguido das sementes imaturas (sucedâneas da ervilha) que podem ser usadas em sopas e purês. As folhas e as flores também são utilizadas, inclusive crus. As sementes maduras (secas) não são muito saborosas, mas podem ser processadas, inclusive para a produção de óleo.

Não sei se vou conseguir ter nas mãos mais algumas destas vagens. Por aqui, preparei como Tempurá. O sabor é bem agradável, lembrando quiabo. Fica a curiosidade com vocês. Caso encontrem algum dia alguns destes Feijões-de-Asas, as Vagens de Okinawa (nome que gostei bastante), não pensem duas vezes em experimentar. Além de bem gostosas elas são muito bonitas.

Orlando Baumel

Chef de Cozinha, músico e sócio do site junto com a Carol. Casado, pai de 3 lindas garotas.

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