Há anos atrás essa era a primeira semana de férias na casa da avó. Os pais iam embora no domingo, e na segunda tudo tinha gosto de velha novidade. A vó silenciosa queria deixar dormir, mas a vizinha cantava logo cedinho enquanto pintava as pinhas para o Natal. A música, a tinta spray, tudo que criança gosta, tudo que criança quer. Só não pulava a janela direto pra lá porque a vó não deixava pular o café da manhã. As casas, da vó e de quase toda a Vila Santo Antônio , eram compridas e altas, um jeito de prevenir problemas nas enchentes. Uma varanda, a sala e o quarto do casal logo na frente, depois os quartos dos filhos, a cozinha e na parte de fora um banheiro, descendo as escadas, o quarto de costura, a dispensa, que guardava também as ferramentas do vô e o que ele trazia da roça, o tanque, e uma outra cozinha, aberta, com vista pro jardim e pros fundos da casa, piso de cimento queimado, fogão à lenha e mesa para todos os filhos e netos. Na maior parte do tempo, era nesse pátio interno que a vida acontecia, as casas, quase todas eram ligadas por um portão estreito. Devia ser um jeito de prevenir distâncias. Por esse portão, eu entrava bem feliz na vida de outra família, logo no primeiro dia de férias para ajudar a Rocio a pintar as pinhas e a preparar os arranjos de Natal que ela via nas revistas. Pintando pinhas e cozinhando feijão, porque segunda era dia de feijão fresquinho pra fazer crescer os filhos e os netos. O feijão pronto, sempre tinha uma provinha, nos copos de cachaça, com bacon picado, mil temperinhos. Esse ano não guardei as pinhas, mas hoje refiz o caldinho. 

Este post tem 2 comentários

  1. Lembrei das minhas férias na minha avó… 🙂

  2. Que delícia de lembrança, Alonso! Um abraço!

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