Ontem pensei sobre uma cidade pequena, onde as pessoas reconhecem as vozes umas das outras. Onde todo mundo sabe tudo sobre todo mundo. O que pode ser desconfortável às vezes, mas, saber tudo é uma dessas grandezas infinitas e inalcançáveis onde o tempo serve de bússola, apenas pra dizer o quão perto estamos do pensamento dos outros.

Antonina é pequena, tem uns cantos menores ainda, mas é o divagar do tempo. Ninguém vive aqui pra estar em outro lugar, ou viver outra vida. Não se tem pressa e o descanso, que acompanhava muito bem os bancos das praças, agora é exclusividade das janelas. Quando o telefone toca, eu reconheço a maioria das vozes, e todas as manhãs quando caminho pelas ruas, agora vazias, do meu entorno, reconheço os hábitos alimentares dessas pessoas, o que cada uma come ou gosta. Antes das seis, tem café preto e banana ou mandioca na chapa. O vizinho, o mais velho da rua, todas as manhãs volta da caminhada com pão quente. Muitas vezes me juntei a eles para o café da manhã com pão e manteiga caseira. A saudade que tenho é de momentos assim, e a certeza é de que, saudade também é uma grandeza, que tempo e afeto aproximam. Às vezes imensa, distante, outras de muito perto, desse mesmo tempo e espaço, dessa cidade pequena, daqui da rua onde fica a minha casa, dessa mesma casa no retorno do trabalho e das viagens, da pessoa eu sou quando reconheço as vozes e os perfumes da rua preparando o café da manhã! 

Saber que mesmo sabendo, as pessoas são sempre muito mais… 

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  1. Daqui eu posso ver a casa e as árvores. Daqui eu posso ver o vale e as montanhas. Mesmo de longe sentir o perfume da manhã. Café com pão. Bom!

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