Fala Fal!

Fal  Azevedo.

Batatinha e outras fábulas culinárias.

Sempre pensei em ter um cronista aqui nestas paragens. Alguém que conseguisse expressar em palavras a emoção de um prato, de um lugar que lembre um prato, de uma figura que nos faça sentir o sabor do estar ou do comer.

E foi nesta busca, uma busca só virtual, que cheguei até a Fal Azevedo. Um Twitter perdido, um convite para escrever, e a pessoa me indicou a Fal. A falazevedo do Twitter.

Assim, como quem não quer nada, comecei a segui-lá, e um dia, a primeira vez que falei com ela, em uma mensagem direta, perguntei se ela não gostaria de escrever aqui.

Assim, do nada, conheci uma das pessoas mais fantásticas que já vi. Uma simpatia de alegrar segundas. Uma Fal, maravilhosa e atenciosa. Com todo o carinho do mundo, aceitou meu convite para escrever para o Oba.

E, como sou curioso demais, fiz uma busca. Tudo que li em seus textos eram da alguém que teria de ser reconhecida em todo lugar. Aí, descobri…a Fal é mais que fantástica. Todo o mundo criado pela Fal é fantástico; todas as histórias contadas pela Fal são fantásticas. A Fal é um sonho..um baita sonho bom…o presente maior que este site poderia ter ganho…o presente que divido (a Fal divide) com você agora.

À partir de hoje, todas as segundas feiras contaremos com as fábulas culinárias da Fal Azevedo. Que a minha alegria seja a de vocês. O Oba está mais feliz que nunca.

Batatinha e outras fábulas culinárias

Fal Azevedo

Pedro Vitiello

O mundo não precisa de mais um livro de receitas. Ou precisa?

Quem escreve e quem lê receitas está à procura de continuidade. O que é uma receita, afinal de contas? Uma lista de materiais e procedimento que, quando descritos e seguidos de maneira ordenada e sempre igual, dará sempre no mesmo resultado. Mais ou menos.

O primeiro livro de receitas que caiu nas minhas mãos foi uma edição de “Dona Benta” dos anos 50, que era da minha mãe.

Ela me deu o livro dela quando não tinha mais a obrigação de cozinhar ou de coordenar uma cozinha todos os dias e, quando cozinhava, fazia os mesmos e manjados pratos, repetidas vezes: as receitas preferidas por mim e, enquanto fui casada, pelo Alexandre.

Sempre queríamos suflês, bifes à milanesa, creme de cassis. Ela reclamava de nossos “paladares infantis”, e fritava nossos bifes bem sequinhos, balançando a cabeça de desgosto.

Sua letra miúda e incompreensível (“É linda de ver e impossível de entender”, dizia meu pai) espalha-se por todo o livro, capas, contracapa. Ela fez comentários ao lado de cada porção de receitas, elogiando, reclamando, alterando. Por todo o livro posso encontrar os recadinhos que ela anotou para si mesma (e para mim, ahá!), listas de compras, descrição de jantares dados e segredos.

É comovente claro, diabos, é minha mãe. É um documento. Hábitos alimentares de uma época e mais particularmente, da minha pequena e disfuncional família, estão lá. O “Dona Benta”, que foi da minha mãe por décadas, sempre me atraiu, mesmo quando eu não cozinhava, porque eram mais que receitas, eram parte de uma história – a minha.

E quem é que, neste vasto mundo, precisa doutro livro sobre comida? Eu. Eu sempre preciso de mais um. Livros gerais sobre a história da alimentação, livros específicos sobre esse ou aquele ingrediente, ou sobre comida de determinado povo ou país. Livros que revelam os hábitos alimentares dos astros de cinema, livros com receitas manjadas, livros com receitas inéditas, receitas complicadas, receitas exóticas, receitas equivocadas, receitas de família, receitas banais, receitas impossíveis.

Para dar conta dessa tarefa e tornar a aventura mais interessante, pedi ao escritor, psicólogo e dublê de Ultraseven, Pedro Vitiello, meu particular irmão, que trouxesse suas próprias crônicas e impressões sobre comida. E então, felizes da vida, escrevemos crônicas sobre comida para nós mesmos. As receitas em primeira pessoa deste livro foram mesmo testadas por mim. Quando eu só li ou ouvi falar, e gostei, escrevo em terceira pessoa, passando a culpa para os outros. As crônicas são todas nossas, no plural ou não.

Escrevemos, também, para você, que adora o barulho do bacon na frigideira, manda e-mails para descrever o café da manhã do hotel, que se encanta com o cheiro do café recém passado, que vai às lágrimas com a maionese desandada, que se emociona com a calda de açúcar formando desenhos no fundo da panela, que sonha com o azedo de um picles bem feito trincando sua boca e que fica maluco com a inauguração de outro restaurante picareta, com cardápio equivocado, ingredientes duvidosos, decoração babaca, garçons arrogantes e preços estratosféricos. É isso. Divirta-se. E por favor, passe o sal.

Fal Azevedo

PS: Alguns destes textos foram escritos antes de agosto de 2007. Por isso, meu marido, que morreu em 27 de agosto de 2007, é citado no presente. Ao juntar as crônicas para fazer o livro, não tivemos coragem de mexer nelas, alterar tempos verbais, essas coisas que parecem tolas, mas que são tão dolorosas quando temos que fazê-las. E depois acabei racionalizando e convencendo o Pedrão que, afinal, o que são crônicas, se não testemunhos de uma época, de uma história, de um dia, você não acha? Eu sabia que você iria me entender.

Orlando Baumel

Chef de Cozinha, músico e sócio do site junto com a Carol. Casado, pai de 3 lindas garotas.

Este post tem 45 comentários

  1. Que delícia ter a Fal aqui também !
    A Fal a gente lê como se saboreasse a iguaria mais rara ,como se degustasse o mais saboroso dos vinhos.
    ÀS vezes ela pode ser também o conforto de uma xícara de chá numa tarde chuvosa.
    Fiquei feliz ! Obrigada.

  2. Falzuca,
    delícia de história essa do livro de Maliu. deu lagriminha nos olhos, porque minha minúscula e bipolar família nunca teve livros de receitas e eu aprendi a cozinhar aos trancos e barrancos, choros, risadas, gargalhadas e queimaduras. mas é assim, né? quase igual a aprender a viver. beijo e vou lá pegar minha manteiga no pãozinho.
    amor, sempre.

  3. Querida Fal minhas segundas vão se transformar, delícia ler essa saborosa comida para alma.
    beijos mil

  4. A Fal é aquela que escreveu “Minúsculos Assassinatos e Alguns Copos de Leite”? Oba, isso é coisa fina… 🙂

  5. Falzita, nunca tive essa intimidade com comidas. Tivemos uma mesma empregada durante 25 anos, era ela que mandava na cozinha. Mas que lindo, né? 🙂

  6. Querida, que delícia !
    Adorei !!!
    Tb tenho um “Comer bem” herdado de mamis.
    Quero mais, deu fominha !

    Bjo

  7. Beleza de escrita, Fal.

  8. Falzinha!!!!eu aqui claro. Melhor que te ler em mais um lugar, foi ler a apresentação que foi feita da sua entrada aqui. É emocionante ler as pessoas que te conhecem se emocionarem, nós que já temos o privilégio de te conhecer há anos. Texto atropelado, mas acho que você vai entender(você sempre entende). Eba!!! toda segunda mais um lugar pra te ver(ler). Te amo. Beijos

  9. Que bom ter mais um lugar para ler seus textos incríveis! Ainda mais falando da maior delícia do mundo!
    Minha mãe tinha um super caderno de receitas. Caiu na besteira de emprestá-lo e nunca mais o vimos.
    Ótima forma de começar a semana.
    Beijos

  10. Salve Fal, ma chère amie.
    Com todo respeito aos tempos verbais e ao sal na medida certa.
    Fraternellement,
    Beto.

  11. Eu sempre falo que essa fofa é iluminada… Olha aí que texto delicioso mais uma vez. Parabéns, querida. Mil beijos!

  12. Obaaaa! Mais Fal prá gente saborear! E essa sua foto tá a coisa mais fofa desta segunda-feira!
    Beijos

  13. Excelente Fal!
    Compartilho com o Orlando o orgulho de ter você enriquecendo nosso Oba!
    Seja bem vinda!

  14. Fal, gostei imenso.
    O comentário que pensei escrever é impróprio para maiores. Mas, o texto está delicioso. agora o difícil será me agradar na hora do almoço. Só vou pensar em vc, no Pedrão e na D. Marli.

  15. Que surpresa gostosa, saborosa, deliciosa, pq vc Fal querida, é tudo isso e muito mais.
    Com amor de verdade, mim que sou eu, a Alice.

  16. Fal,

    Você é o máximo escrevendo sobre q-u-a-l-q-u-e-r assunto. Te adoro assim de montão, como dizem as minhas crianças.

    Beijos,

  17. Falzuca, minha querida!
    Que presente mais delicioso numa segunda-feira!
    Serei redundante: você é simplesmente o “mácssimo” escrevendo sobre qualquer coisa!
    E a gente continua te seguindo e te amando prá todo sempre, amém!
    Bjos!

  18. Diliça de mulher… Diliça de ser humano… Ai, como é bom habitar o mesmo planeta com você, meu amor… Como é bom ler você…Como é bom saber que você está aqui…

  19. Acompanho a Fal desde o início do Blog dela, li o livro dela e claro que agora irei segui-la aqui também. Bem Vinda Fal !!! Parabéns Oba !!!

  20. ah, como é bom te ler, Fal…
    escrevendo sobre comida, mais gostoso ainda! 🙂

  21. Oi Falzinha! Coisa boa ver vc escrevendo sbre comida por aqui!beijos.Cozinhar é pura mágica!

  22. Então que a pessoa bota o pirulito na boca da criança e… tiiiraaa!!! Eu quero ler as crônicas, eu quero ver o livro anotado, eu quero ver a letrinha metida a besta da Maliu, eu queroooo! Quando é que tem mais?
    beijos!

  23. fal do céu, que maravilha ter voce here, there and everywhere! parabéns ao OBA! beeeeeijos

  24. Delicia de texto, delicia de coluna. Toda segunda estarei aqui!

  25. que ‘auxílio luxuoso’, como diria Luiz Melodia.
    Vc fica bem em qualquer lugar, em qualquer espaço, Fal, principalmente no coração da gente.
    Beijos
    Helê

  26. Orlando,
    será 100pre um prazer ler um texto como o seu, descrevendo a Fal, mas principalmente, percebendo o seu “encantamento” com a pessoa mágica que é Fal .
    é uma delicia ler tudo que a Fal escreve, porque ela fala de tudo aquilo que trazemos dentro de nós e que não fazemos a menor ideia de como falar!
    beijo Fal
    beijo Orlando

  27. Ooooooh meu amor! Que espaço tão bom!!!
    Parabéns, querida 😀
    Tô adorando saber que vou poder saborear mais um bocado de você por aqui. E um bocado bem especial, hein? Ainda mais nas segundonas!
    Balancei com as imagens, Fal.
    Te amo, te amo, te amo!!!
    Sil

  28. Fal, você é um sonho! Daqueles de padaria, que eu adoooooro!
    Um grande abraço!

  29. Orlando,

    Sou fã da Falzoca desde os primórdios da Internet. Quando eu dispunha de mais tempo, lia com frequência o blog dela, o que me divertia horrores! Na época em que ela fez os resumos falzísticos das novelas, eu me vi obrigada a acompanhar os folhetins da TV, coisa que não fazia há anos, só pra entender as vesões da Fal, rsrs!
    Depois que o meu tempo ficou curto, passei a dar apenas uns ‘pulinhos’ no ‘Drops’. Mesmo assim, tem dado para acompanhar as ocorrências significativas da vida dela, como os lançamentos dos livros (que infelizmente ainda não li), e a lamentável e prematuríssima morte do Alexandre. Lendo os textos da Fal descobri umas coincidências entre nós duas: ela nasceu no dia 16 de fevereiro (eu no dia 17) e a mãe dela se chama Marli, rsrs.
    Que bom ‘ver’ a Fal aqui!

    Beijão

  30. é-me particularmente difícil gostar de textos de comida, tu fazes praticamente um milagre nas tuas crónicas, dar-me vontade de aprender a cozinhar (nc ng conseguiu antes…). Muitos parabéns, tá absolutamente maravilhosa a crónica. tou doida pra ler o livro. bjo imenso

  31. Ai, eu adoro ler a Fal, mas falando de comida, então, eu AMO. Beijo, amore!

  32. Oba, mais Fal pra gente ler! Adorei a novidade!

  33. Amolei, amei. Mas eu já sabia que vc era talentosa quando éramos molecas!!!
    Amor…

  34. Queridos, muito obrigada pelos comentários tão doces. :o) té segunda!

  35. Orlando, arrazou com a Fal heim!! Repercursão total!! Texto delicinha, adorei! Suas segundas vão bombar!! Beijos

  36. Delicinha cremosa!!!!!

  37. Parabéns! Oba!
    Gosto muito dos textos da Fal, mas fico um pouco incomodado quando digo que ela sabe escrever. Eu acho que o que ela sabe fazer com as palavras é desenhar e animar, tecer, pintar e bordar sentimentos.
    Como já comentaram, talvez melhor do que ler um texto da Fal seja ler um texto da Fal sobre comidinhas. Ainda mais com a responsabilidade de ter o irmão caçula com o dedão na massa.
    Um beijo a todos.

  38. Carol, Claudinha!! Beijos, queridas. :o)

  39. Nando. Eu escrevo pra vc. beijo, Fal.

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