Vinhos de Sobremesa – Parte 2

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Vinhos – por Luis Felipe de Moraes

Vinhos de Sobremesa II

Continuamos esta semana com Vinhos de sobremesa, desta vez com Porto, Madeira e Jerez!

download-271Um dos vinhos mais conhecidos da história, existe há mais de 250 anos como região demarcada de produção. O Vinho do Porto é um vinho Fortificado, mas… o que é um vinho fortificado?

Vinho fortificado é o vinho que teve adicionado em algum estágio da fermentação álcool vínico, ou seja álcool de vinho, em sua composição. Explicando: Quando esmagam-se as uvas obtém-se o mosto (suco de uva mais cascas e engaços), este por sua vez fermenta até que as leveduras transforme todo o açúcar em álcool. Nos vinhos Fortificados, geralmente antes que as leveduras terminem de transformar todo o açúcar em álcool o produtor adiciona o álcool vínico matando a levedura, deixando que reste açúcar natural e elevando a graduação alcoólica do vinho final. Ou seja: tem-se um vinho de estrutura alcoólica fortificada. Enquanto os vinhos “tradicionais” tem entre 11 e 14,5º de álcool os Fortificados normalmente tem entre 18 a 20º.

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Voltando ao Vinho do Porto. Ele não é originário da cidade do Porto como pensa muita gente. Mas sim da região do Douro, região que tem esse nome por causa do rio do mesmo nome que corta seus montes. A cidade do Porto é o local aonde o vinho do porto era normalmente engarrafado e distribuído para exportação, principalmente Inglaterra. Eles são portanto produzidos no Douro e transportados via barcos pelo rio Douro até a cidade do Porto.

Mas o vinho do Porto não foi sempre fortificado. Antigamente era um vinho “tradicional” que era exportado para a Inglaterra. O que acontecia era que esses vinhos transportados via mar normalmente não suportavam a viagem da cidade do Porto até seu destino e acabava estragando. Então descobriu-se que se fortificassem o vinho com álcool ele passaria a suportar a viagem.

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E deste então crio-se um mito. O vinho do Porto fascina o mundo a séculos. Ele é elaborado com cinco uvas distintas: Tinta Amarela, Tinta Cão, Tinta Barroca, Touriga Nacional e Touriga Franca. Existe um conselho regulador que mantém e certifica a qualidade de todos os vinhos do Porto produzidos, mantendo assim um sempre alto padrão de qualidade.

Existem alguns estilos de vinho do Porto a saber:

Ruby: o mais simples dos Porto. Envelhecido apenas dois anos em barris (cascos como dizem os Portugueses) são os mais frutados e frescos.

Tawny: envelhecido três anos, são mais acastanhados, lembram mais frutas secas. Harmonizam bem com sobremesas de chocolate.

Old Tawny: podem ter 10, 20, 30 ou 40 anos de envelhecimento e podem ser verdadeiras delícias. Possuem corpo mais intenso, e tem aromas e sabores muito mais evoluídos que os dois primeiros.

Vintage: produzidos somente em anos de excepcional qualidade. São sempre maravilhosos e podem durar muitas décadas, talvez mais de um século. São vinhos extremamente estruturados, ótimo corpo, equilibrados, e muito, muito complexos. São verdadeiras jóias.

LBV (Late Bottled Vintage): é o vintage que precisou de um tempo a mais para ficar pronto. Ou seja ele não atingiu o ponto ideal de maturação em dois anos e ficou mais dois envelhecendo sendo depois engarrafados (daí o nome). São na maioria das vezes os melhores custo-benefício entre os vinhos do porto.

Dentre os inúmeros produtores podemos destacar: Casa Ferreirinha, Down´s, Quinta das Tecedeiras, Quinta da Cavadinha, Messias, Burmester, Adriano Ramos Pinto, Graham´s ,dentre outros tantos.

Vinhos Madeira

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O Vinho Madeira é produzido na ilha de mesmo nome descoberta por um capitão português ainda no séc. XV. Os vinhos da ilha da madeira são os únicos vinhos do mundo que são elaborados por um processo de cozimento. Eles na verdade nasceram de uma maneira inusitada. Os tripulantes dos navios que ali abasteciam os seus porões de vinho para as longas viagens pelo oceano atlântico, não tardaram a perceber que os vinhos retornavam das viagens melhores do que quando haviam partido da ilha.

Mas porque? Com o tempo descobriu-se que o que melhorava o vinho que já era fortificado para agüentar a viagem no mar era o tempo que ele passava exposto ao calor no porão dos navios. Esse período de exposição ao calor extremo acabava por causar uma espécie de cozimento no vinho que o transformava completamente, para melhor claro.

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Os vinhos passaram então a serem elaborados e envelhecer em estufas onde simulavam o tempo no porão do navio. Nas estufas eles passam cerca de três meses a temperatura constante de 50ºC, processo que é utilizado até hoje. O vinho Madeira é produzido utilizando-se as uvas: Boal, Malmsey, Sercial e Verdelho que são as principais e a pouco valorizada Negra Mole que gera vinhos Madeira mais simples. A Madeira possui alguns produtores vinícolas importantes, tal como Henriques & Henriques, a Companhia de vinho da Madeira que pertence à família Blandy, os vinhos Barbeiros, vinhos Justino Henriques e Filhos, vinhos Pereira d’Oliveira e Vinhos Silva, todos produtores de vinhos excepcionais.

Semana que vem falaremos do vinho espanhol Jerez. Espero que tenham gostado e um brinde a todos!

Luis Felipe de Moraes – Sommelier – Madero – Balneário Camboriú – SC

sommelier.felipe@yahoo.com.br

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Orlando Baumel
Orlando Baumel
Chef de Cozinha, músico e sócio do site junto com a Carol. Casado, pai de 3 lindas garotas.

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