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Borbulhas em 2011!

Crédito foto : http://blog.wineenthusiast.com

O término das festividades de fim de ano não significa que você deve abandonar o delicioso hábito de brindar suas refeições ou até mesmo um dia comum com um belo espumante.

Na dúvida sobre qual escolher, não se intimide com a incrível variedade existente e aproveite o novo ano para, mês a mês, descobrir os exemplares de sua preferência.

Dá até para começar um hobby e criar o seu próprio caderno de impressões, contando a situação que comprou a bebida, como a degustou, colar a embalagem, fotos, registrar o preço, as sensações etc.

Um pouco de dedicação e sensibilidade podem transformar qualquer um num “expert”, é só prestar atenção a detalhes como: os aromas são simples ou complexos? E lembram flores, mel, mate ou o quê? Como é na boca? Seco, persistente, cremoso, ácido? Qual é a uva? A coloração? O sabor é persistente, adocicado, elegante? Isso só para ajudar você a começar sua incursão pelo mundo das borbulhas. Um caminho sem volta, devo alertar! Hoje, na minha casa, a proporção de espumantes armazenados é proporcional a de garrafas de água mineral, depois que comecei a apreciar e conhecer melhor esse tipo de bebida.

Com muitas diferenças em relação ao champagne, mas muito bem colocados no ranking das bebidas memoráveis, os espumantes vieram para ficar. Importados ou nacionais, você estará sempre muito bem acompanhado se tomar alguns cuidados antes de fazer sua escolha.

Basicamente todos os vinhos desse tipo são espumantes. É errado, por exemplo, dizer que você beberá um prosecco, se seu espumante não for fabricado com uma uva italiana específica que dá esse nome à bebida. Champagne é uma região da França que, por seguir uma série de padrões de fabricação e pólices através de um acordo entre seus produtores, ganhou o direito de dar esse nome aos espumantes produzidos ali. E cava denomina os espumantes provenientes da Espanha.

Nossa indústria está investindo cada vez mais nesse tipo de bebida e vem crescendo muito, tanto em produção quanto em qualidade com opções que vão desde vinhos mais jovens e frutados, até os maduros e mais encorpados. Já nossos vizinhos, como Chile e Argentina, antes tradicionais em tintos, agora nos oferecem espumantes muito interessantes. E os europeus, historicamente produtores de opções fantásticas, chegam por aqui a preços bem convidativos. Ou seja, não tem desculpa para não adotar o espumante como parte do dia a dia!

Os métodos de fabricação também variam. No tradicional, a fermentação é feita na garrafa, e no charmat, em autoclaves.

Para tirar o máximo de proveito na degustação de um espumante, esqueça o gosto da maioria dos brasileiros, que adora tudo muito gelado, e mantenha a garrafa longe do freezer. O ideal mesmo é gelar o espumante colocando-o  num balde, enchendo até a metade com gelo e completando o restante com água gelada, para garantir uma temperatura entre os 6 e 8 graus, e assim aproveitar melhor todos os sabores e aromas. Respeite ainda a delicadeza desta bebida tão especial e sirva em taças longas, sem chacoalhar a garrafa e sem explodir a rolha.

Vamos então falar sobre a harmonização com a comida já que, para cada tipo da bebida, existem sim combinações perfeitas. Mas saiba que, independente de regras, os espumantes acompanham muito bem a refeição toda, desde as entradas, até os pratos principais e sobremesas. O mais importante é descobrir o que mais lhe agrada.

Eu, que amo tomar vinhos da uva Malbec acompanhados de chocolate, uma heresia para muitos, gosto dos espumantes tipos Demi-sec (mais secos) para degustar queijos e frutas, enquanto os especialistas indicam para sobremesas, pela sobreposição do seco com o doce, uma das premissas das harmonizações. Por isso, esqueça as regras e guie-se pelo seu paladar.

Os espumantes do tipo Brut, mais consumidos pelos brasileiros, e os rosados, levemente adocicados, também devem ser considerados na hora da compra. Um deles feito especialmente para você!

Aproveito então para dividir um pouco do meu gosto pessoal e dar algumas indicações de bons espumantes: o prosecco Faé Le Bottaie, os espumantes brasileiros Salton Évidence ou Pericó (um dos meus favoritos), os “hermanos” Tarapacá Brut, da Isla de Maipo, no Chile, ou Zuccardi Blanc de Blancs, de Mendoza, Argentina, o cava da Catalunha Pere Ventura Tresor (muito cremoso!), o Saint-Hilaire Balnquette de Limoux, um dos representantes franceses tipo “crémant” que disputam com os champagnes o esmero na fabricação de espumantes premium e, por fim, um legítimo champagne, o Maxime lin Carte Blanche. Espero agora é receber email dos leitores com novas indicações, pois uma das coisas mais gostosas nesse mundo gastronômico é poder trocar experiências!

Não há desculpas, nem mesmo pelo preço, já que há várias faixas de valor, muitas delas bem acessíveis aos nossos bolsos. Os espumantes não podem faltar em nenhum momento, e não só nas comemorações de fim de ano. Por isso, seja qual for seu gosto pessoal, invista sempre numa boa garrafa, que não necessariamente precisa ser cara, e seja mais feliz.

Um bom ano novo para todos, obrigada por estarem sempre comigo e que 2011 seja um ano de muitos brindes!

Allez!

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Orlando Baumel
Orlando Baumel
Chef de Cozinha, músico e sócio do site junto com a Carol. Casado, pai de 3 lindas garotas.

2 Comentários

  1. João Gabriel Margutti Amstalden disse:

    “Dá até para começar um hobby e criar o seu próprio caderno de impressões, contando a situação que comprou a bebida, como a degustou, colar a embalagem, fotos, registrar o preço, as sensações etc.”

    Hahaha, que bacana, eu faço isso com as cervejas que bebo, minha coleçãozinho ja contém mais de 100 rótulos!

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