Fala, Fal!

Dietas by Fal.

Conversas deliciosas da Fal Azevedo!

Diálogos calóricos

1.

– Xá ver, pegamos tudo da lista?

– Tudo.

– Alface crespa, limão, tomatinho, queijo branco?

– Tudo.

– Tá animada pra dieta, heim?

– Demais. Opa, esqueci uma coisa, péra.

(…)

– Pronto, podemos ir pro caixa.

– Mas você vai levar um potão de Nutella?

– Vou.

– Alface, tomatinho, agrião, cebola, queijo branco, presunto de peru e Nutella?

– Vou.

– Mas você não ia começar uma dieta radical?

– Ia não, vou.

– E vai comprar Nutella?

– Mas meu filho, o que é que Nutella tem a ver com a dieta? Dieta é dieta, Nutella é Nutella.

– Entendi.

2.

– Bom, eu vou sair e comprar uma quentinha.

– Ta

– Como cê quer, com frango, com bife?

– Com nada, bebeu? Eu não quero quentinha nenhuma, Alexandre. Esqueceu que eu comecei uma dieta radical?

– É mesmo, esqueci.

– Você é assim, você solapa minha dietas.

– Desculpa, amor.

– Você nunca me respeita

– Desculpa, amor. Té já.

– Tchau.

(…)

– Alô.

– Que susto, achei que cê tinha saído sem o celular.

– Não, não. Amor, tudo bem aí?

– Tudo.

– Diga lá.

– Me traz uma de picadinho?

– Hahahahaha!

– E não esquece a cola-cola? Coca-cola normal, heim?

3.

– Alô?

– Fal?

– Eu.

– Acordei o Alê?

– Nada acorda o Alê, Ana, você sabe, ele desmaiou às 9 e meia.

– Que você tá fazendo?

– Vendo Ronifon e me preparando pra assistir o Jô, porque ele vai entrevistar o Ronifon.

– Ah, que programão.

– Si fudê.

– Rárárá. Vi você na televisão, falando de blogs.

– Foi.

– Você não sabe falar de mais nada?

– Não, e nem disso. Eu engano, você sabe.

– Eu sei.

– Ou tento enganar, o que é pior.

– Eu sei.

– As meninas tão boas?

– Insuportáveis e boas.

– Bom.

– Sua mãe tá bem?

– Agora tá sim.

– Eu li no blog que de domingo pra hoje você não dormiu vendo filme de mulher que chora no box.

– Verdade.

– Dormir pouco engorda, você sabe.

– Vai à merda, Ana.

– E hoje, você tá com sono?

– Não.

– Tem programa?

– Mas criatura, eu não acabo de dizer que vou ver o Ronifon no Jô?

– Ah é.

– Então.

– Eu tou na minha mãe. Tem reunião financeira essa semana e eu tou em São Paulo.

– E só avisa agora, cretina?

– É, ué.

– Sei.

– Comprei uma garrafa de rum.

– Ana, são quase 11 da noite!

– Você tem limão aí?

– Ana, são quase 11 da noite!

– Tem ou não?

– Tenho.

– Gelo?

– Tenho.

– Seu liquidificador funciona?

– Funciona mais ou menos.

– Você precisa jogar essa merda fora e comprar um de jarra de vidro que nem o meu.

– Olha aqui, ele funciona, tá?

– Tou indo.

4.

– Vem pra casa, Alexandre?

– Não posso, não são nem 3 da tarde!

– Vem pra casa.

– Eu não posso mesmo.

– Ah, vem e vamos embora!

– Embora?

– Embora!

– Como embora?

– Embora, Alexandre. Embora. Vem pra casa, a gente pega uns trecos e vai embora!

– Vai embora e só volta domingo?

– Não, Alexandre, vai embora e não volta nunca mais.

– E a bufunfa?

– Dane-se.

– E os gatos?

– Danem-se.

– E o trabalho?

– Dane-se.

– E a sua mãe?

– …

– E os alunos?

– …

– Nós não podemos.

– Sério. Eu vou ter um troço. Pode ser uma explosão brutal, um vendaval que atire tudo longe. Ou pode ser uma implosão silenciosa, interna, dessas que deixam a fachada intacta, mas arrebentam tudo por dentro. A diferença é que uma dá pra sacar só de bater o olho e a outra você vai precisar de tomografia computadorizada pra saber que aconteceu.

– Bom, e um filminho no vídeo?

– Já melhora um pouco.- Tou indo.

*

– Vamos à padaria, Bibi?

– Não posso, Alexandre. Estou no MSN com a Gi, que tá contando sobre o “ex-quase-atual” dela.

– Quem?

– O “ex-quase-atual” dela. É quase porque eles se gostam, mas é ex porque sem emprego. O cara paga pensão pra duas ex-mulheres, três filhos, não sobra grana nem pra um motelzinho básico.

– …

– Você vai trazer pão-de-queijo pra mim?

– Eu não sei nem se eu volto.

*

– Fanta Morango?

– É, eu quero.

– Fanta Morango?

– É, o menino que escreve o Catarro Verde disse que é bom.

– Quem?

– O Serjones, amor, que escreve um blog chamado Catarro Verde. Ele disse que é gostoso.

Blog é aquele treco da internet?

– É.

– E você vai comprar um treco repugnante porque um cara que você nunca viu na vida mandou?

– É.

– Pelo amor de Deus, pega uma só e vamos pro caixa.

– Mas, Alexandre, eu…

– Não, não fala comigo, vamos pro caixa.

*

– A endocrinologista me deu um papelzinho

– Papelzinho.

– É, com a descrição dos cardápios dos primeiros 14 dias da dieta, além das listas de “pode” e “não pode”.

– Quaquaqua, com quem ela pensa que está falando, com amadores?

*

– Você vai me amar pra sempre?

– Eu já te amo pra sempre, minha linda.

Orlando Baumel

Chef de Cozinha, músico e sócio do site junto com a Carol. Casado, pai de 3 lindas garotas.

Este post tem 12 comentários

  1. Ah… isso não se faz. Perdi as palavras e desatei a chorar, caramba.

  2. Adorei! Que lindo, viu?

  3. Eu já disse que ADORO tudo que vc escreve e que ADORO vc? Relaxa, continuo hetero, Fal… kkkkkkkkkkkkkkk ADORO! =P

  4. Ô minhas queridas.

  5. Tesouros. Sua memória é um baú de tesouros, Fal.
    Um abraço bemmmmmm apertado em vc.

  6. hahhahh me identifiquei tanto!

  7. Ai que delicioso este texto, Fal. Quer que eu leve Ntella pra vc? :-p

  8. Eu também tomei Fanta morango convencida pelo Serjones. E era bom. Ai Fal, te ler dá sempre saudade de um tempo que eu era boa. (E esse tempo nem existiu)

  9. Diálogos maravilhosos. adorei, como sempre. mas confesso que tenho predilecção especial plos diálogos 😀
    Bjo

  10. Ah, Fal…
    Quanta coisa boa de ler…
    E eu não achei a Fanta morango até hoje!!
    Mas, o Nutella continua na dieta,né?
    Bjs

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