O Amendoim e a Infância

Quanto mais o tempo passa mais eu acredito que muita coisa na minha vida gira em torno de amendoim.

Desde a minha infância que esse tal de amendoim anda pra cima e pra baixo marcando momentos importantes da minha vida.

Com quatro anos tive infecção intestinal, e a culpa de quem foi? Do Sr Amendoim. Fui a uma festinha e o “cajuzinho” tinha sido feito com amendoim fora da validade, eu e mais uma criança ficamos muito doentes…

Cresci com minha mãe dizendo que não podia comer amendoim de jeito nenhum.  Mas tinha um momento no ano que eu podia comer: bolo de amendoim na casa da vó. Ela fazia aniversário dia 26 de dezembro, e todo ano a gente ia lá dois dias seguidos, dia 25 e dia 26. E eu me fartava de comer bolo de amendoim…

E não era só isso, tem todo um universo de criança que cresceu junto com esse momento, além do bolo de amendoim, tinha o manjar branco, o sonho de goiabada, os sanduíches com queijo e pepino no pão de forma, pastéis de carne com azeitona e ovos e é claro, muito refrigerante Cini *.

E nessas oportunidades, tive meus momentos marcantes de fases de crescimento, lembro até hoje quando meu avô me deixou ir buscar pela primeira vez, uma garrafa de refrigerante no Paiol, onde ele fazia estoque para os dias de festa. Lembro também da primeira vez que me deixou cantar os números do jogo de Vispora **.

Com a vinda da Stela, Fiquei me perguntando que rituais farão parte da infância dela, que coisas ela vai sentir saudades quando crescer. Ir na casa dos avós? Passear com o avô? De que comidas ela vai sentir saudades e vai me pedir sempre pra fazer, mesmo quando ela crescer e já tiver os filhos dela?

Com isso veio minha necessidade de resgatar um pouco da minha infância, sei que ela vai poder comer o pudim de leite e o mousse de uva da vó, que até hoje são os meus queridinhos. Sei que quando ela viajar pra visitar a outra avó em São Paulo, também vai ter suas saudades. Mas e o que fez parte da minha infância, como trazer pra ela? como recuperar?

Pedi ao meu pai, e ele achou no meio das coisas da minha avó, alguns cadernos de receitas, fui devorá-los atrás da receita do bolo de amendoim, é claro, mas não achei…

Conversando com uma prima, a Silvana, não é que ela aprendeu com a vó como fazer? (tá ai uma coisa que a Stela, se quiser, vai ser estimulada a aprender: cozinhar com as avós).

Na primeira visita da Silvana aqui em casa, pra conhecer a nossa Stela, olha só o que ela me trouxe?

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o tão querido bolo de amendoim

Não tirei mais fotos, não deu tempo… a gente devorou ele tranquilamente durante o café da tarde. E tem lá suas peculiaridades, gemada pra grudar o amendoim, uma camada de pudim entre os pães de ló… e quando sobrava amendoim ela misturava a sobra com o pudim do recheio… uma tortura gastronômica simples e deliciosa. Que por enquanto não foi “‘gourmetizada”.

Comer uma fatia disso me trouxe essa saudade enorme que divido hoje com vocês e me trouxe uma certeza: a Stela vai experimentar todas essas gordices assim que tiver idade. Meta pra 2015? Tirar do baú essas receitas de família.

E vocês, qual a receita da sua infância?

EM TEMPO:

*CINI

Pra comemorar 110 anos, engarrafaram um lote em garrafa de vidro novamente.
Pra comemorar 110 anos, engarrafaram um lote em garrafa de vidro novamente.

Cini? Pra quem não é de Curitiba, um esclarecimento, é um refrigerante produzido aqui, que era vendido originalmente em garrafas marrons como as de cerveja e têm sabores que ninguém mais faz: gengibirra (refrigerante de gengibre), Framboesa ( que na realidade é guaraná com sabor framboesa) e Abacaxi.

**VÍSPORA

fonte: família Imhof
fonte: família Imhof

Víspora? É o que hoje chamam de bingo, mas a cartela é um pouco diferente da de bingo. Achei na internet uma foto da cartela e das pedras, iguais a que herdei dos meus avós. Eles usavam aquelas fichinhas de poker pra poder marcar os números nas cartelas. Pra guardar as peças, uma cabaça revestida em couro que eles trouxeram de alguma viagem no nordeste.

 

Carolina Figueiredo

Sócia do Oba Gastronomia desde que veio aqui procurar informações sobre um restaurante da cidade e virou amiga do Orlando Baumel. Sou mãe, webdesigner e divagante, amo boa música, bons pratos e uma boa risada.

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