Pode parecer estranho e até nojento, mas ano que eu começo vomitando costumam ser, até agora, os anos mais marcantes da minha vida.
Ano passado terminou confuso, um ar de agonia sufocante, foi muito ruim. De esquecer.
Dia primeiro começou com uma calça jeans perdida forever porque nunca mais vou conseguir tirar aquele vômito dela. E, acreditem, enterrar aquela calça jeans linda me fez bem! Ela se perdeu e outras coisas eu também deixei pra trás.
Nessa coisa de perder, em janeiro fui me perder em Curitiba, tentar me achar, buscar meu referencial, reposicionar a bússola. Voltei pra Cascavel sem saber o quanto minha vida ia mudar.
Em fevereiro, meu aniversário foi estranho também… aquela pizza de última hora… sem festa nem nada, mais preguiça de fazer qualquer coisa do que realmente uma comemoração… Passei mal nos dias seguintes resmungando que a pizza me fez mal.

E aquele mal estar foi continuando… e veio o sono também, aquele que eu tinha perdido em 2013 de ficar 2 dias sem dormir… Parece que veio todo acumulado, de sentar pra ler um email e dormir. E eu preocupada que fosse sinal de depressão, que estivesse dormindo daquele jeito pra fugir da realidade.

Então aquele mal estar virou náusea matinal… virou vômito por sentir o perfume do marido…

Dia 24 de fevereiro avisei o marido que tinha marcado o médico para o dia 26 de fevereiro, ele me perguntou se tinha conseguido marcar com o mesmo gastro que havia feito minha cirurgia em agosto. Disse a ele que tinha marcado com o obstetra recomendado por uma amiga. Ele riu… Já tínhamos passado tantas vezes por aquilo…

Dia 26 de fevereiro chegou e as 15 horas eu ouvi o coração do meu bebê batendo pela primeira vez… foram os 150 batimentos por segundo mais lindos da minha vida… Muito mais legal do que conseguir bater qualquer meta de frequência cardíaca de quando me exercitava… saí de lá com a “foto” do meu feijãozinho… Contar pro meu marido e ele não acreditar foi legal tb…

Fiquei pensando em pra quem contaria primeiro… minha mãe, meu pai? A única vez que meu pai achou que estava grávida quase teve um treco de tanta felicidade… minha mãe já sempre demonstrou preocupação nesses momentos… Mas por ordem de “quem vai ficar mais magoado se não for o primeiro” contei primeiro para minha mãe… que não acreditava e achava sinceramente que eu estava brincando com ela. Meu pai, que eu achava que faria aquela festa… teve todo aquele discurso preocupado que estava acostumada a ouvir da minha mãe…

Com os exames do pré natal começando… descobri que estava com uma disfunção na tireoide e que teria que tomar remédios para controlar esse problema… Com os efeitos colaterais do remédio, veio também o enjoo em dobro, o sono em dobro e um cansaço absurdo. Além do aumento da probabilidade da gravidez não terminar bem…

Os três primeiros meses foram tensos… cansativos… e tão enjoados que mal conseguia me olhar no espelho…

Então fui contando, meio que pra um e outro… mas sempre com aquele receio enorme de perder o bebê no meio disso tudo. Se você já chegou nesta parte do texto e está aí, brabo, porque só está sabendo agora, acredite, não foi minha intenção te deixar de fora dessa festa. É que o medo, o receio e toda a tensão desse período me deixaram sensível demais.

Chorei quase que junto com a Isabel quando contei pra ela. Ela sabe a quanto tempo ter um filho é um sonho pra mim e é minha amiga quase que desde a creche. Contar pra Eliane também foi uma festa pro meu coração, pois sei o quanto ela torce por isso acontecer na minha vida. Contei para algumas amigas que já são mães, pois elas sabem o quanto curti acompanhar a gravidez delas e o crescimento dos filhotes. Contei também para minha prima Ana Schindler, que descobriu quase na mesma época que eu, que será mamãe novamente e com ela divido aquelas coisas de que só quem está grávida entende, inclusive as vontades de comer coisas diferentes.

Semana passada fui pra Curitiba, e vi como é diferente a nossa relação quando viramos mãe também. Ver minha mãe me olhar como mulher foi um orgulho que não imaginam e ela cuidar da filha que vai ser mãe é de uma delicadeza sem tamanho. Voltei de Curitiba querendo tudo isso de novo… querendo minha mãe mais perto de mim… voltei querendo não ter voltado…

Sexta, dia 09, completei 5 meses de gravidez. Os medos estão ficando menores e essa força que brota dentro da gente, de que pode acontecer o que for, que cuidarei dessa “pessoinha” que vai nascer com toda garra do mundo vai tomando conta de mim. Não tenho medo do futuro, de como farei para cuidar, não sinto mais esse medo, porque sei que vou fazer um tudo para criar uma boa pessoa para o mundo.

Esta semana saberei se será o Eduardo ou a Stella que virá ao mundo. Seja quem for, já amo muito, muito mesmo. E espero que vocês possam curtir esse momento comigo também.

Feliz dia das Mães.

seja bem vindo meu bebê!
seja bem vindo meu bebê!

 

 

Carolina Figueiredo

Sócia do Oba Gastronomia desde que veio aqui procurar informações sobre um restaurante da cidade e virou amiga do Orlando Baumel. Sou mãe, webdesigner e divagante, amo boa música, bons pratos e uma boa risada.

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