Afeto? Não adianta procurar por aí! Ele se foi. Abduzido pela nave mãe do consumo, o afeto sobrevoa, mas só sobrevoa nossos céus. Mantido à distância, na vitrine das recompensas, o afeto é muito mais lucrativo longe do peito, longe da nossa alma. 

O amor? Não, esse não foi abduzido, sequestrado ou coisa parecida. Foi adotado por Narciso, e como o pai adotivo, não acha bonito o que não é espelho, o que não é igual. Penso que em dias cinzas de chuva, o amor deve mirar o espelho e perguntar: “Espelho, espelho meu, existe sentimento mais perfeito e inatingível do que eu?” Pobre amor, abandonado pelos humanos, encontrou em Narciso um companheiro pra vida toda, e seguem juntos, disfarçando preconceitos, ódios, intromissões. É mais fácil pra ele, sobreviver ao lado de Narciso, que impõe um único modelo de perfeição. Os humanos, tinham cada um seu modelo, enlouqueciam o amor com suas exigências, neuras e manias. 

Consumimos o mundo, ou o mundo nos consome? Consumimos nossas ideias ou modelos fast-food de felicidade? 

Se consumirmos nossos dias e vidas, em vez de coisas e objetos, produziremos uns sentimentos incorruptíveis, fortes e corajosos, que se valem de sorrisos e abraços, conversas e amigos, amores e aceitações pra recriarem o amor e o afeto! E se tem um jeito de mudar as coisas por aí, de reconstruir, é esse! 

Pensem nisso!

 

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Fechar Menu